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Sinistros no rio Madeira e o fenômeno das Terras Caídas

Antes de começar, vamos responder rapidamente a duas perguntas: onde fica o rio Madeira e por que ele recebe este nome? O rio Madeira fica ao norte do Brasil e banha os estados do Amazonas e Rondônia. Ele faz parte da bacia do rio Amazonas e é um dos seus principais afluentes. O rio Madeira recebe este nome por conta do volume de troncos e galhos que percorrem suas águas, após terem sido derrubados e arrasados pela erosão fluvial decorrente das Terras Caídas.

Não é de hoje que o mercado de seguros tem conhecimento dos diversos problemas que acontecem no rio Madeira. Seu comportamento, mesmo que previsível na maioria das vezes, acaba surpreendendo projetistas e empreiteiros. Um deles é o fenômeno das Terras Caídas, que faz com que diversos tipos de prejuízos sejam arcados.

Mas o que são Terras Caídas, afinal?

É um fenômeno de desmoronamento, desabamento, deslizamento e escorregamento na margem do rio. Ele atinge, na maioria das vezes, extensões quilométricas, sendo possível observar um grande volume de terra se movendo, como se fossem ilhas flutuantes. As Terras Caídas são desencadeadas por diversas combinações de fatores como, por exemplo, os climáticos, devido aos altos níveis de chuva da região + a fragilidade dos materiais encontrados nas margens + a ação da água.

Desmoronamento da margem do rio Madeira com danos no enrocamento

Com relação ao tipo de material das margens, quanto maior o nível de silte (fragmentos de rocha) e areia, mais suscetível o solo está em sofrer erosão. Esta composição física caracteriza o material tipicamente friável (que sofre fragmentação), através da ação erosiva da água superficial e subsuperficial. Desta forma é que ocorre a erosão lateral e o solapamento das margens dos rios.

Em virtude da vulnerabilidade do material depositado, a ação erosiva da água produz amplas reentrâncias (cavidades) na morfologia das margens. A erosão fluvial justifica o resultado de uma correlação de fatores dominantes, onde é destacada a hidrodinâmica do canal e os tipos de sedimentos depositados e erodidos.

Já os eventos críticos de cheia e estiagem não se comportam da mesma forma ao longo do trecho do rio Madeira. Isto acontece pelo fato de existir um efeito retardatário dos picos de cheia e vazante de montante para jusante. Estas diferenças no nível d´água estão relacionadas à diferença de tempo entre os picos de vazão, colaborando para a ocorrência da ruptura dos taludes na margem do rio.

A PERÍCIA E SEUS ESTUDOS NO RIO

A equipe de especialistas e engenheiros da BRZ-Experts possui experiência em atender sinistros complexos no rio Madeira, utilizando modelos matemáticos e modelagens numéricas que visam investigar a origem do sinistro. Apresentar e simular soluções técnicas e projetos detalhados também fazem parte do nosso escopo, a fim de analisar e orientar as Seguradoras quanto aos possíveis riscos que os empreendimentos e construções podem apresentar.

Mais uma situação de desmoronamento da margem do rio Madeira

A experiência em atuar em sinistros no rio Madeira, investigando causas, desenvolvendo análises matemáticas e modelagens numéricas, simulando o comportamento estrutural de pontes ou mesmo fundações executadas na margem, mostraram conceitos e fatos básicos que, frequentemente, não são considerados no projeto inicial.

Nas análises detalhadas de estacas cravadas na margem do rio, ou mesmo nos estudos aprofundados das estruturas e fundações das pontes ali executadas, observam-se que o coeficiente de segurança dos taludes não atende aos requisitos relacionados com os eventos de cheia, ou mesmo das Terras Caídas, na maioria dos casos.

Outro aspecto importante diz respeito à retirada das matas ciliares na margem do rio, uma vez que essa vegetação é considerada como um muro de arrimo natural (ou seja, serve para “segurar” o solo da parte que for mais alta entre os dois lados da acomodação, isto é, estabilizando a pressão e contendo o maciço com risco de desmoronamento para que ela não ceda). Ao retirar, de forma impensada e inconsequente a vegetação das margens, as encostas ficam expostas, desprotegidas e vulneráveis à presença do sol. Além disso, por não estar em contato com a água, elas não sofrem mais a força de empuxo (força oposta provocada pelo rio, impedindo o seu deslize) provocando o deslizamento e movimentação do talude.

Ao não estudar de forma intensa e aprofundada os diversos comportamentos do rio e as forças da natureza, as obras seguradas estão expostas a diversos prejuízos, que muitas vezes são bem custosos.

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Um abraço e até a próxima!